A opinião exposta no post é expressão exclusiva do autor do artigo.
Feliciano:
o homem errado no lugar errado?
A promulgação da CF/88 encerrou a
lápide sobre o túmulo da ditadura, mas deixou o seu fantasma a rodear a terra e
passear por ela. Se eu fosse o então coveiro, riscaria a bendita pedra com o
epitáfio: “Que morra a mordaça, viva a liberdade de opinião”.
A garantia da manifestação do
pensamento, nas primeiras linhas do artigo 5ª da lei magna, lavou a alma dos
que sonhavam com um país livre do absolutismo que subjugou o povo por longos 21
anos. Graças ao sangue de muitos justos que nos precederam, hoje podemos nos manifestar
contra ou a favor até do absurdo da descriminalização de drogas malignas à
harmonia social, por exemplo. Alexandre Garcia, ao comentar o “assunto feliciano”,
disse que “a opinião é livre, e é protegida pela constituição, cada um pode ter
a sua opinião”. Não é este o entendimento de ativistas gays quanto à condução
dos trabalhos da CDH, cuja presidência vige aos cuidados do Deputado Federal
Marco Feliciano – PSC/SP.
Feliciano chegou àquela casa com quase 212
mil votos. E a Câmara Federal é a cara do Brasil. Lá temos professor, policial,
empresário, médico, pastor, padre, artista, palhaço, sindicalista, ex BBB, etc.
Aquilo é a expressão máxima da democracia, lá o povo com suas facções tem vez e
voz, inclusive escolas de samba, latifundiários, e outras aberrações.
Após 18 anos à frente da famigerada
comissão, o PT saiu a outras aspirações escuras. Ao PSC restou a presidência daquele
grupo. Feliciano foi eleito com 11 dos 12 votos dos correligionários. Sob considerações
de homofobia e racismo se viu frente a uma avalanche de manifestações hostis de
ativistas gays. A anarquia empestou as redes sociais e as ruas.
A arquitetada celeuma em torno de um Pastor
desvia os holofotes da mídia e os dardos inflamados de rebeldes sem causa, da trama
sorrateira que colocou na CCJ, a mais importante da casa, dois mensaleiros petistas
condenados pelo STF. E nesse bonde pegaram carona ativistas LGBTs em busca de
privilégios ao arredio da constitucionalidade. Somos iguais, livres na escolha
do trabalho, estudo, relacionamento, residência, consumo, etc. Um Estado Democrático de Direto não
privilegia grupo; por menor que seja, não diferencia pessoa por mais diferente
que seja; não criminaliza opinião por mais polêmica que seja. Além disso,
não limita manifestações ideológicas, é pluralista, é passível de ser
influenciado por elas, mas jamais poderá ser interferido por qualquer delas, caso
o PLC 122 vigore, exemplo.
Não assinto em tudo com o Deputado,
entretanto, a bem da verdade, de lá ele só sai morto. A menos que se acovarda e
renuncie por opção. Não preciso concordar com ele, apoiá-lo, mas devo-lhe respeito,
posto que é representante do povo que o levou democraticamente até lá. O
contraditório é indispensável à construção de uma sociedade livre e consciente.
A propósito, o respeito ao diferente não é bandeira dos pseudo defensores de
minorias? Faço minhas as palavras da autêntica Rachel
Sheherazade, jornalista âncora de um grande telejornal: “Quem não
estiver preparado para a democracia, que renuncie a ela”.
Marcos
Ribeiro Morais


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