Recentemente
Vítor Belfort insinuou publicamente que o Espírito Santo o orientou
qual golpe utilizar para vencer Luke Rockhold, na principal luta do
“UFC no Combate 2″, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.
Não
é necessário ser jurista nem tão pouco teólogo para concluir que
o MMA (Artes Marciais Mistas), além de controverso ao ordenamento
jurídico pátrio, é um “esporte” no mínimo incoerente com as
atitudes de quem se diz defensor de princípios bíblicos.
A
sociedade vive uma total inversão de valores. A prática do MMA
exige do combatente, além de uma preparação física que mais
parece um ritual masoquista, abrir mão de um direito fundamental, a
sua integridade física, pois no octógono vale quase tudo para
trucidar o oponente. A deformação fisionômica do lutador é comum,
as fraturas são frequentes, o sangue escorre pela lona logo nos
primeiros minutos de combate.
Constitucionalmente,
os direitos fundamentais são indisponíveis. Isso significa que o
titular não pode renunciá-los. A integridade física é inviolável,
assim como é a dignidade, a vida, etc.
Isso
é um contra-senso aberrante. Por um lado condenam-se ações de maus
tratos e violência contra os animais, como a proibição da rinha, a
famosa “briga de galo” (ADI 3776-RN e ADI 2514-RJ) e a proibição
da “farra do boi” (RE 153.531-8Q/SC), uma manifestação
folclórica do sul do país. Por outro lado, exalta-se a violência
gratuita, infelizmente já disponível na TV aberta, que exibe com
naturalidade as intermináveis sessões de tortura de seres humanos
animalizados. Banalizaram cenas reais jamais vistas nas outras
modalidades esportivas racionais.
E
em se tratando da Bíblia, quer queiram quer não, ela é o maior
manual da boa conduta humana. Lendo-a de capa a capa não se encontra
argumentos claros para a aprovação de práticas animalescas como as
que se tem visto. Discernir o amor à Deus sobre todas as coisas e ao
próximo como a nós mesmos, já é o suficiente para entendermos o
que se opõe à mensagem de paz, amor e fraternidade pregada pelo
livro sagrado.
Existe
ao longo do país dezenas de projetos sociais de inclusão de jovens
em situação de risco social que abrangem nas suas modalidades
esportivas o MMA. Para muitos, esse é um argumento legítimo à
aprovação da nobre ação pelo Divino.
O
fato de se oportunizar uma mudança de vida pelo esporte a pessoas
marginalizadas é louvável. Entretanto, em se tratando do
cumprimento da missão bíblica, para os crentes, os fins não
justificam os meios. Essa ideia maquiavélica relativiza a moral e
assim como a prática do MMA, contraria diretamente a mensagem
pregada pelo protagonista do livro da paz, uma vez que,
descaradamente faz apologia à violência.
A
coisificação do homem poderá até passar ao largo da visão míope
do legislador. Mas jamais será admitida pela sacra legislação
daqueles que acreditam em valores reais capazes de tornar uma
sociedade mais pacífica.
Marcos
Ribeiro Morais




Não posso acreditar que tenham apagado alguns posts para colocar um sobre MMA. Direção, vocês não estão sendo coesos com o que dizem. Querem ser teologicamente correto, mas na primeira querem apresentar violência (olhem para as imagens). O texto está correto (porém muito longo) em abordar os problemas que as pessoas causam quando utilizar a Palavra de Deus para se promover, porém e os pastores artistas, quero saber um opinião! E outra, ninguém pode dizer se alguém é ou não "cristão", pois ninguém (ser humano) sabe o que tem no coração do outro, apenas Deus.
ResponderExcluirCaro “Irmão Nerd Cristão”, obrigado por comentar.
ExcluirRespondo na condição de autor do texto.
O fato de se mostrar imagens de violência, não que dizer que se estar a fazer apologia a ela (se assim fosse, a Bíblia deveria ser considera um livro maligno por estar repleta disso). A ideia, se podes perceber, foi alertar aos cristãos o perigo de se comungar com práticas que a Bíblia não aprova. A questão teológica, até agora, diga-se de passagem, depois do texto ter sido publicado até no Jornal do Tocantins, ninguém apresentou posicionamento divergente. Quanto à “pastores artistas”, agradeço a sugestão de tema e se a direção aprovar, publicarei minha opinião sobre. Aguarde.
Att,
Marcos Morais