quinta-feira, 6 de junho de 2013

O Espírito Santo no octógono do MMA?

Recentemente Vítor Belfort insinuou publicamente que o Espírito Santo o orientou qual golpe utilizar para vencer Luke Rockhold, na principal luta do “UFC no Combate 2″, em Jaraguá do Sul, Santa Catarina.
Não é necessário ser jurista nem tão pouco teólogo para concluir que o MMA (Artes Marciais Mistas), além de controverso ao ordenamento jurídico pátrio, é um “esporte” no mínimo incoerente com as atitudes de quem se diz defensor de princípios bíblicos.

 A sociedade vive uma total inversão de valores. A prática do MMA exige do combatente, além de uma preparação física que mais parece um ritual masoquista, abrir mão de um direito fundamental, a sua integridade física, pois no octógono vale quase tudo para trucidar o oponente. A deformação fisionômica do lutador é comum, as fraturas são frequentes, o sangue escorre pela lona logo nos primeiros minutos de combate.

 Constitucionalmente, os direitos fundamentais são indisponíveis. Isso significa que o titular não pode renunciá-los. A integridade física é inviolável, assim como é a dignidade, a vida, etc.
Isso é um contra-senso aberrante. Por um lado condenam-se ações de maus tratos e violência contra os animais, como a proibição da rinha, a famosa “briga de galo” (ADI 3776-RN e ADI 2514-RJ) e a proibição da “farra do boi” (RE 153.531-8Q/SC), uma manifestação folclórica do sul do país. Por outro lado, exalta-se a violência gratuita, infelizmente já disponível na TV aberta, que exibe com naturalidade as intermináveis sessões de tortura de seres humanos animalizados. Banalizaram cenas reais jamais vistas nas outras modalidades esportivas racionais.

 E em se tratando da Bíblia, quer queiram quer não, ela é o maior manual da boa conduta humana. Lendo-a de capa a capa não se encontra argumentos claros para a aprovação de práticas animalescas como as que se tem visto. Discernir o amor à Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, já é o suficiente para entendermos o que se opõe à mensagem de paz, amor e fraternidade pregada pelo livro sagrado.
Existe ao longo do país dezenas de projetos sociais de inclusão de jovens em situação de risco social que abrangem nas suas modalidades esportivas o MMA. Para muitos, esse é um argumento legítimo à aprovação da nobre ação pelo Divino.
O fato de se oportunizar uma mudança de vida pelo esporte a pessoas marginalizadas é louvável. Entretanto, em se tratando do cumprimento da missão bíblica, para os crentes, os fins não justificam os meios. Essa ideia maquiavélica relativiza a moral e assim como a prática do MMA, contraria diretamente a mensagem pregada pelo protagonista do livro da paz, uma vez que, descaradamente faz apologia à violência.
A coisificação do homem poderá até passar ao largo da visão míope do legislador. Mas jamais será admitida pela sacra legislação daqueles que acreditam em valores reais capazes de tornar uma sociedade mais pacífica.







Marcos Ribeiro Morais

2 comentários:

  1. Irmão Nerd Cristão6 de junho de 2013 às 15:19

    Não posso acreditar que tenham apagado alguns posts para colocar um sobre MMA. Direção, vocês não estão sendo coesos com o que dizem. Querem ser teologicamente correto, mas na primeira querem apresentar violência (olhem para as imagens). O texto está correto (porém muito longo) em abordar os problemas que as pessoas causam quando utilizar a Palavra de Deus para se promover, porém e os pastores artistas, quero saber um opinião! E outra, ninguém pode dizer se alguém é ou não "cristão", pois ninguém (ser humano) sabe o que tem no coração do outro, apenas Deus.

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    1. Caro “Irmão Nerd Cristão”, obrigado por comentar.
      Respondo na condição de autor do texto.
      O fato de se mostrar imagens de violência, não que dizer que se estar a fazer apologia a ela (se assim fosse, a Bíblia deveria ser considera um livro maligno por estar repleta disso). A ideia, se podes perceber, foi alertar aos cristãos o perigo de se comungar com práticas que a Bíblia não aprova. A questão teológica, até agora, diga-se de passagem, depois do texto ter sido publicado até no Jornal do Tocantins, ninguém apresentou posicionamento divergente. Quanto à “pastores artistas”, agradeço a sugestão de tema e se a direção aprovar, publicarei minha opinião sobre. Aguarde.
      Att,
      Marcos Morais

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